sábado, 24 de outubro de 2009

OS PAÍSES DE LÍNGUA PORTUGUESA

A língua portuguesa é uma língua românica que se originou no que é hoje a Galiza e o norte de Portugal. É derivada do latim falado pelos povos pré-romanos da Península Ibérica (Galaicos, Lusitanos, Célticos e Cónios), há cerca de 2000 anos. O idioma se espalhou pelo mundo nos séculos XV e XVI quando Portugal estabeleceu um império colonial e comercial que se estendeu do Brasil, nas Américas, a Goa, e outras partes da Índia, Macau na China e Timor-Leste. Foi utilizada como língua franca exclusiva na ilha do Sri Lanka por quase 350 anos. Durante esse tempo, muitas línguas crioulas baseadas no Português também apareceram em todo o mundo, especialmente na África, na Ásia e no Caribe.

Com mais de 260 milhões de falantes, é, como língua nativa, a quinta língua mais falada no mundo e a terceira mais falada no mundo ocidental. Além de Portugal, é oficial em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 13 de julho de 2007, na Guiné Equatorial, sendo também falado nos antigos territórios da Índia Portuguesa (Goa, Damão, Ilha de Angediva, Simbor, Gogolá, Diu e Dadrá e Nagar-Aveli).

Nos séculos XV e XVI, à medida que Portugal criava o primeiro império colonial e comercial europeu, a língua portuguesa se espalhou pelo mundo, estendendo-se desde as costas africanas até Macau, na China, ao Japão e ao Brasil, nas Américas. Como resultado dessa expansão, o português é agora língua oficial de oito países independentes além de Portugal, e é largamente falado ou estudado como segunda língua noutros. Há, ainda, cerca de vinte línguas crioulas de base portuguesa. É uma importante língua minoritária em Andorra, Luxemburgo, Paraguai, Namíbia, Maurícia, Suíça e África do Sul. Além disso, encontram-se em várias cidades no mundo numerosas comunidades de emigrantes onde se fala o português, como em Paris, na França, Hamilton, nas Ilhas Bermudas, Toronto, Hamilton, Montreal e Gatineau no Canadá, Boston, Nova Jérsei e Miami nos EUA e Nagoia e Hamamatsu no Japão.
O português é falado por cerca de 190 milhões de pessoas na América do Sul, 16 milhões de africanos, 12 milhões de europeus, dois milhões na América do Norte e 330 mil na Ásia. Dentre as línguas, oficiais e primeiras, faladas numa significativa quantidade de países, o Português é a única cujos países falantes (7 nações) não fazem fronteira com outro país da mesma língua. Tal não ocorre com o Inglês, com o Francês, o Espanhol, o Árabe. Os territórios colonizados por Portugal não se sub-dividiram em diversos países, como ocorreu com as colônias da Espanha nas Américas, com as colônias da França e do Reino Unido na África.
(Fonte: www.wikipedia.com.br)
PAÍSES E REGIÕES DE LÍNGUA PORTUGUESA NO MUNDO


MAPA DE PORTUGAL - COM AS ILHAS DE AÇORES E MADEIRA
(Fonte: www.googleimagens.com.br)


MAPA DO BRASIL - COM SUAS REGIÕES
(Fonte: www.googleimagens.com.br)



MAPA DE ANGOLA - PAÍS DA ÁFRICA
(Fonte: www.googleimagens.com.br)


MAPA DE CABO VERDE - PAÍS DA ÁFRICA
(Fonte:www.googleimagens.com.br)


MAPA DE GUINÉ BISSAU - PAÍS DA ÁFRICA
(Fonte: www.googleimagens.com.br)


MAPA DE MOÇAMBIQUE - PAÍS DA ÁFRICA
(Fonte: www.googleimagens.com.br)


MAPA DE SÃO TOMÉ E PRINCIPE - PAÍS DA ÁFRICA
(Fonte: www.googleimagens.com.br)


MAPA DA GUINÉ EQUATORIAL - PAÍS DA ÁFRICA
(Fonte: www.googleimagens.com.br)


MAPA DO TIMOR LESTE - PAÍS DA ÁSIA
(Fonte: www.wikipedia.com.br)


MAPA DA CHINA COM DESTAQUE PARA A LOCALIZAÇÃO DE MACAU.
(Fonte: www.googleimagens.com.br)


MAPA DA ÍNDIA DESTACANDO GOA REGIÃO QUE FALA A LÍNGUA PORTUGUESA
(Fonte: www.googleimagens.com.br)


MAPA DA ÍNDIA DESTACANDO GOA, DAMÃO E DIU REGIÕES QUE FALAM A LÍNGUA PORTUGUESA.
(Fonte: www.googleimagens.com.br)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

AS GUERRAS CIVIS DA ÁFRICA

Um dos desdobramentos mais trágicos das lutas desencadeadas a partir do processo de independência são as guerras civis. Trata-se da consequência mais visivel e sangrenta da criação de fronteiras artificiais responsáveis pela divisão política do continente africano. Conflitos ancestrais tornaram-se guerras que desencadearam elevado índice de mortes, muitas vezes acompanhadas de golpes de Estado e instauração de ditaduras corruptas, interessadas em assegurar privilégios de minorias. A seguir, serão apresentados alguns exemplos dessas guerras que afetam a vida de milhares de pessoas.

1- RUANDA E BURUNDI:

Um dos maiores exemplos dessa luta mortal entre tribos é a que envolve hútus e tútsis nos territórios hoje divididos em Ruanda e Burundi. Originalmente denominada Ruanda-Burundi, até a primeira guerra mundial essa região pertencia à África Oriental Alemã. Em 1919, após a derrota dos alemães na guerra, os belgas assumiram o controle do território em questão.
Os conflitos na região, porém, remontam aos séculos XII e XV, quando chegaram ao local grupos hútus e tútsis, que conviveram ali durante muito tempo. Em termos de língua ou de aspecto físico, os dois grupos não apresentam grandes diferenças; já do ponto de vista econômico, enquanto os tútsis criavam gado, os hútus eram agricultores.
Sob o domínio Belga, os tútsis, que correspondiam a cerca de 15% da população foram escolhidos pelo poder colonial para "governar" o país. A maioria hútu (cerca de 85%) ficou excluída do processo social e econômico. Como não poderia deixar de ser, os hútus passaram a defender um governo que representasse os seus interesses. Em 1959, os agricultores hútus rebelaram-se contra a monarquia tútsi apoiada pelos Belgas e abriram caminho para separar Ruanda e Burundi. Em 1961, sob a liderança hútu, Ruanda ganharia status de República, e,no ano seguinte, a Bélgica reconheceria sua independência. Perseguidos os tútsis procuraram abrigo nos países vizinhos. Por sua vez, Burundi também se tornou independente nesse ano, sob monarquia tútsis.
Entretanto a paz não foi alcançada. Em 1963, tútsis exilados no Burundi organizaram um exército e voltaram para Ruanda, sendo massacrados pelos hútus. Outros massacres sucederam-se até que, em 1973, um golpe de Estado levou ao poder, em Ruanda, o coronel Juvénal Habyarimana, de etnia hútu. Apesar dos conflitos persistirem, pode-se afirmar que houve uma trégua nas duas décadas seguintes.
Em 1993, o governo de Ruanda, liderado pelos hútus, assinou um acordo de paz com a liderança tútsi, pelo qual os refugiados poderiam voltar ao país e participar do governo. Em abril do ano seguinte, retornando de uma conferência na Tanzânia, os presidentes hútus de Ruanda e Burundi foram vítimas de um acidente aéreo. A morte desses líderes desencadeou a volta dos massacres. No Burundi apesar da condição de minoria étnica, os tútsis detinham o controle do exército e deram um golpe de Estado em 1996, quando nomearam para presidente um major dessa etnia. Além disso obrigaram grande massa de hútus a viverem na condição de refugiados nos chamados "campos de reagrupamento", que reúnem cerca de 10% da população (cerca de 800 mil pessoas), segundo dados da organização não governamental Anistia Internacional. Outros 700 mil refugiados vivem fora das fronteiras do país, mais precisamente em países limítrofes, como Tanzânia e Uganda, criando sérios problemas para os dois governos, que não tem condições de garantir ajuda humanitária a essa população. Em Ruanda, onde a violência não tem sido menor, calcula-se que 13% da população tenha morrido na guerra desencadeada em 1994 pelos hútus, sendo 90% desse total integrante da minoria tútsi, segundo dados da ONU.


MAPA DE RUANDA E BURUNDI - PAÍSES AFRICANOS
(Fonte: www.googleimagens.com.br)


CIVIS TÚTSIS MORTOS EM RUANDA (GENOCÍDIO)
(Fonte: www.googleimagens.com.br)

2- BIAFRA:

Outro exemplo dos terríveis efeitos das fronteiras artificiais foi a guerra de Biafra no final dos anos 1960 e início da década seguinte. Província da Nígéria, Biafra é uma ex-colônia britânica que possui mais de 250 etnias. Em 1966, os Ibos, uma dessas tribos, tomaram o poder, provocando o aumento das rivalidades contra os Iorubas e os hauçás. Em consequência de um contragolpe, os Ibos foram massacrados no norte do país, onde são minoria. Eles deslocaram-se então para o leste da Nigéria, mais precisamente para a província de Biafra. No ano sequinte, os Ibos da pronvíncia de Biafra declararam sua independência, aprofundando a guerra civil, que se prolongou até 1970. Um boicote econômico por parte das empresas petroliferas (a Nigéria é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo, a OPEP)impediu o desenvolvimento do novo país e pôs fim ao projeto de separação dos Ibos, já que tal divisão poderia trazer problemas para essas empresas. Ao final do conflito, cerca de 1 milhão de biafrenses, quase todos Ibos, haviam morridos, vitimados pela fome ou por doenças. A Nigéria contudo, continuou como palco de golpes de Estado, liderados por chefes militares, o que tem tornado difícil a superação dos seus graves problemas internos.


PROVÍNCIA DE BIAFRA (NIGÉRIA)
(Fonte: www.googleimagens.com.br)


CRIANÇAS SUBNUTRIDAS DURANTE A GUERRA OCORRIDA NA PROVÍNCIA DE BIAFRA - NIGÉRIA.
(Fonte: www.googleimagens.com.br)

3- ANGOLA E MOÇAMBIQUE:

Também na chamada África Portuguesa (Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Principe), as lutas pela independência revelaram-se sangrentas. Moçambique e Angola, por exemplo, libertaram-se após violentas guerras contra Portugal, em 1975.
Em Angola, o movimento anticolonial assumiu contornos especiais em razão do contexto da Guerra Fria. Os grupos angolenses de orientação Marxista procuraram apoio junto a países como Cuba e União Soviética, enquanto grupos liberais buscaram ajuda norte-americana. Proporcionado a independência de Angola, o acordo de Alvor, assinado em janeiro de 1975, não foi capaz de propiciar um entendimento entre esses grupos políticos, que passaram a lutar pelo poder no país. A Guerra Civil ganhou força, especialmente porque os Estados Unidos não timha interesse na instalação de regimes socialistas na África. Por outro lado, o bloco socialista também via no conflito uma oportunidade de fortalecer o seu bloco, caso Angola passasse a integrá-lo.
Foi só com o fim da Guerra Fria que se ampliaram as condições para um tratado de paz e um acordo entre as duas organizações, abrindo oportunidade para a realização das primeiras eleições pluripartidárias do país, em 1992. O Movimento Popular Pela Libertação de Angola (MPLA, de esquerda, foi alçado ao poder, com José Eduardo dos Santos. Entretanto Jonas Savimbi, seu opositor de direita (apoiado pelos Estados Unidos), não reconheceu o resultado, e a Guerra Civel recomeçou. Com a morte de Jonas Savimbi durante um combate em abril de 2002,seu grupo foi finalmente desarticulado, abrindo caminho para um processo de paz mais duradouro. O trágico saldo da Guerra Civil de mais de duas décadas é um país arrasado em toda a sua infra-estrutura, afetado por doenças que matam centenas de pessoas por dia e que se tornou o detentor do maior percentual mundial de pessoas mutiladas por minas terrestres. Além de mutilar as minas dificultam a prática da agricultura. Consequentemente, Angola é um dos países mais pobres do mundo, em que cerca de 60% da população é analfabeta e somente 40% fala o português, língua oficial do país.
O caso de Moçambique, outra ex-colônia portuguesa, não difere muito do angolano. Em 1975, Moçambique conseguiu a independência, a Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), de orientação Marxista, chegou ao poder com um sistema de partido único, e o seu lider, Samora Machel, tornou-se presidente do país. Moçambique enfretaria problemas parecidos com os de Angola, ou seja, ali também os conflitos girariam em torno da divisão entre socialistas e capitalistas. A FRELIMO apoiada pelos governos socialistas, enfrentaria a Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO), que tinha como principais aliados os Estados Unidos e a África do Sul. Em 1992 a FRELIMO e a RENAMO assinaram o acordo de paz, dando esperança de dias melhores para os Moçambicanos. Em 1994, foram realizadas eleições pluripartidárias, e a FRELIMO saiu vitoriosa por meio da eleição de Joaquim Alberto Chissano. a RENAMO permaneceu como a segunda força política do país, optando pelo caminho das armas. Em 1999 Chissano foi reeleito, apesar das denúncias de fraudes, feitas pela oposição, que não foram comprovadas.


MAPA DE ANGOLA


ASPECTOS DA GUERRA CIVIL EM ANGOLA


MINA ENCONTRADA NO SOLO EM ANGOLA


MENINAS MUTILADAS POR MINA PARTICIPAM DE CONCURSO EM ANGOLA


MAPA DE MOÇAMBIQUE


SOLDADOS DA FRELIMO - DURANTE A GUERRA CIVIL - MOÇAMBIQUE
(Fonte: www.googleimagens.com.br)
Texto: (Fonte: África; Horizontes e Desafios do Século XXI / Charles Pennaforte - São Paulo, SP, 2006 Editora Saraiva.)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

ASPECTOS GEOGRÁFICOS DA EUROPA - ANTES E APÓS A 2ª GUERRA MUNDIAL

A seguir estão colocados mapas da Europa na seguinte ordem:

1- A EUROPA EM 1923: APÓS A 1ª GUERRA E ANTES DO INÍCIO DA 2ª GUERRA MUNDIAL - SURGEM NOVOS PAÍSES PÓS CONFLITO DE 1914 A 1918 - PODEMOS TAMBÉM NOTAR QUE A POLÔNIA APRESENTAVA CONFIGURAÇÃO TERRITORIAL DIFERENTE DOS DIAS ATUAIS, ONDE SE SOBRESSAIA O CHAMADO CORREDOR POLONÊS QUE ERA UMA SAÍDA PARA O MAR BÁLTICO.
(Fonte: História: Volume Único / Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Reinaldo Seriacopi - 1ª Ed. - São Paulo: Editora Ática, 2005)

2- A EUROPA APÓS A 2ª GUERRA MUNDIAL: AS ZONAS DE INFLUÊNCIA DOS PAÍSES VENCEDORES - DE UM LADO OS ESTADOS UNIDOS- BLOCO CAPITALISTA -(EUROPA OCIDENTAL)E DO OUTRO A UNIÃO DAS REPÚBLICAS SOCIALISTAS SOVIÉTICAS- BLOCO SOCIALISTA - (LESTE EUROPEU).
(Fonte: História: Volume Único / Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Reinaldo Seriacopi - 1ª Ed. - São Paulo: Editora Ática, 2005)

3- A ALEMANHA DIVIDIDA APÓS O TÉRMINO DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL EM ZONAS: AS ZONAS BRITÂNICAS, AMERICANA E FRANCESA CONSTITUIRAM A ALEMANHA OCIDENTAL COM REGIME CAPITALISTA E A ZONA SOVIÉTICA TRANSFORMOU-SE NA ALEMANHA ORIENTAL COM REGIME SOCIALISTA.

(Fonte: História: Volume Único / Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Reinaldo Seriacopi - 1ª Ed. - São Paulo: Editora Ática, 2005)

4- BERLIM - A CAPITAL DA ALEMANHA TAMBÉM FOI DIVIDIDA EM ÁREAS QUE ERAM SEPARADAS POR UM MURO (MURO DE BERLIM): A PARTE ORIENTAL PASSOU A SER CAPITAL DA ALEMANHA ORIENTAL E A PARTE OCIDENTAL PASSOU A FAZER PARTE DA ALEMANHA OCIDENTAL SENDO ACESSADA APENAS POR AVIÃO.

(Fonte: História: Volume Único / Gislane Campos Azevedo Seriacopi, Reinaldo Seriacopi - 1ª Ed. - São Paulo: Editora Ática, 2005)

sábado, 12 de setembro de 2009

SETENTA ANOS DO INICIO DA 2ª GUERRA MUNDIAL

1- Aspectos do Maior Conflito da Humanidade:

A 2ª Guerra Mundial começou em Gdansk, às 04:45 h de 1º de setembro de 1939, quando um navio alemâo atacou um forte polonês, e terminou em Tóquio, ao meio dia de 15 de Agosto de 1945, quando o Imperador Japonês se rendeu a bomba atômica americana. Portanto esse mês marca setenta anos do início do conflito mais destrutivo já ocorrido em nosso planeta. Alguns autores tem revisto esse período derrubando alguns mitos e ampliando conhecimentos a respeito da 2ª guerra mundial.
Para esses autores Hitler não era um gênio do mal, mas um estrategista lamentável que levou o exército ao caos. Os judeus não marcharam passivos para as câmaras de gás, milhares contra-atacaram. No dia D, a guerra já estava ganha pelos soviéticos, que mataram dez vezes mais alemães que americanos e britânicos juntos. E foram 70 milhôes, não 40 milhôes de mortos. Vamos conhecer a versão atualizada da segunda guerra mundial.

2- Hitler Mais Sorte do Que Juízo:

A frase acima parece insanidade pois Hitler conseguiu logo no início da guerra tomar metade da Polônia, Dinamarca, Noruega, Holanda, Bélgica,Luxemburgo e França. Assustados Portugal, Espanha, Suiça e Suécia se declararam neutros, o equivalente a um voto em branco onde concorda-se com que vencer. O sucesso fez ver Hitler como um gênio político e militar, comparado a Napoleão, mais os erros considerados cruciais para a derrota da alemanha podem ser atribuídas a conta do Führer. Para estudiosos como Norman Davies (Europa na Guerra), Hitler era um apostador, um blefador, um desavergonhado exibicionista. Mais como explicar os seus sucessos iniciais? Bom é preciso reconhecer que a Blitzkrieg (guerra relâmpago), ataque acelerado e simultâneo de aviões, blindados e soldados, inovou e surpreendeu a todos. E, ainda, que seu inventor fosse o general Heinz Guderian, Hitler teve coragem de autorizá-la. Mas os adversários facilitaram, na tomada da França os exércitos eram até parelhos - 3,3 milhões do eixo contra 2,8 milhões dos aliados, mas a estratégia de defesa era do tempo da 1ª guerra mundial (1914-1918). A vitória nazista foi tão fácil que inspirou a lenda de que os generais franceses haviam entregues seu país. porém depois de um 1º turno bem sucedido o técnico do time alemão adotou a arrogância como tática. É consenso ninguém conseguiria dissuadir o ditador de atacar a URSS, afinal ele já tinha esse plano na cabeça havia tempo, está escrito no livro que escreveu na cadeia em 1924, Mein Kampf (Minha Luta). Pouco importou o pacto de não agressão assinado dois anos antes. Hitler tinha tanta certeza da vitória que fez um agrado aos aliados japoneses e declarou guerra aos EUA, crente que tudo estaria acabado antes que ele tivesse de responder pela fanfarronice.


A EXPANSÃO NAZISTA NO INÍCIO DA 2ª GUERRA MUNDIAL (EUROPA)
(Fonte:Revista Super Interessante, Setembro de 2009)

3- A Grande Virada na 2ª Guerra Mundial:

No livro Hitler as War Lord (Hitler Como Senhor da Guerra), o general FRanz Halder afirma que seu chefe mudou muito após a invasão da URSS. Antes, era atento aos conselhos dos auxiliares. Depois fascinado com seus talentos, passou a seguir seus instintos. Sob seu temperamento volúvel, o alto comando era de alta rotatividade. Veio a obsessão em ocupar Stalingrado, um ponto importante, mas não imprescindível. Na verdade, seus principais acessores militares preferiam como estratégia ocupar o Oriente Médio, garantindo acesso a uma reserva infinita de petróleo e uma segunda rota de entrada na URSS. Mas só de pensar em dominar países cheios de árabes, no seu ranking de racismo, tão desprezíveis quanto os judeus, o Führer mudava de assunto. Preferia pensar nos comunistas. Era questão de honra para ele tomar uma cidade que tinha o nome do inimigo; mais Stálin, outro orgulhosos, ordenou a resistência a qualquer custo. Nas ruínas de Stalingrado a blitzkrieg, eficiente em campos abertos, foi anulada pela guerrilha do exército vermelho, que se animou e virou o jogo da guerra. Na frente ocidental Hitler também fez bobagens, é famosa a história de que ninguém teve coragem de acordar o Führer no dia D, uma das tantas vezes em que o exército foi prejudicado porque as pessoas tinham medo de lhe dar más notícias. Pior Hitler ordenou que os blindados alemães continuassem esperando em Calais o "verdadeiro" desembarque inimigo, os tanques foram presa fácil. Para o historiador britânico Andrew Roberts, Hitler poderia ter vencido a guerra se não fosse tão ariano, um exemplo: ao mobilizar o Estado para matar judeus , ciganos e homossexuais, foram desviados recursos que poderiam estar na guerra e eliminados milhões de possíveis trabalhadores. Além disso a ideologia privou a Alemanha de seus melhores cientistas, judeus como Albetrt Einstein e Leo Szilard. Tolerando físicos "inferiores", um governo menos lunático poderia ter alcançado primeiro a bomba atômica. Desse holocausto fomos poupados.

4- A Resistência Armada Durante a Segunda Guerra Mundial (Guerrilhas):

Os nazistas davam duas opções aos judeus: morrer ou colaborar, para morrer mais tarde. Alguns judeus escolheram matar. Em 20 de janeiro de 1942, 15 oficiais nazistas graduados se reuniram em uma mansão de Wannsee, um aprazível suburbio de Berlim. Pauta do dia: "solução final para a questão judaica". em 90 minutos, o general Reinhard Heydrich relatou os aspectos básicos da operação, que consistia em transportar todos os judeus em território alemão para o leste europeu, onde trabalhariam até morrer, Heydrich enfatizou que contava com todos, deixando subentendido que aquele era o desejo do próprio Hitler. Como todos sabem morreram durante a 2ª guerra mundial cerca de 6 milhões de judeus, a maioria nos campos de extermínio. Mas nem todos tiveram o mesmo destino alguns decidiram contra-atacar. E outros, colaborar com o opressor. Em outubro de 1942, judeus da cidadezinha polonesa de Kamionka sentiram os efeitos da conferência de Wannsee: foram informados de que seriam levados a um gueto em Lubartow. O filho de pequenos comerciantes Frank Bleichman de 19 anos desconfiou e decidiu abandonar a família para se esconder no campo. Mais tarde soube que o destino de seus amigos e familiares era um campo de extermínio. Frank juntou-se a um grupo de 100 judeus que se escondiam em condições primitivas nas florestas da região, um dos vários grupos de guerrilheiros fugidos de guetos e campos de concentração que lutaram contra os invasores nazistas no leste europeu. Tocaiados entre árvores, conseguiram interceptar carregamentos de comida para as tropas alemãs, sabotar usinas elétricas e fábricas, descarrilar trens de inimigos e, qundo possivel, matar alguns nazistas, mas sem denunciar a posição do acampamento.
Esse era o grande drama dos irmãos Bielski, da Bielo-Rússia. No princípio, em 1942, eram só os quatro, Tuvia, Zus, Azael e Aron. Mas seu sucesso começou a atrair gente, gente inclusive sem vocação para se esconder e guerrear no mato e no frio, no auge o grupo chegou a ter 1200 membros, 70% eram velhos, mulheres e crianças. Com tanta gente, era preciso se esconder em regiões muito remotas, como pântanos que os alemães nem sabiam como chegar. Como relatou o guerrilheiro Norman Salsitz: "Quanto pior as condições, melhor para nós". Os caras não procuravam briga, mas não fugiam: calcula-se que chegaram a matar 400 inimigos. Em 1944, quando a Bielo-Rússia voltou a ser dos Soviéticos, o grupo saiu da floresta, sobreviveram aos nazistas. No gueto de Varsóvia em setembro de 1942, começou a evacuação para o campo de extermínio de Treblinka, considerado o mais eficiente, onde 99% eram mortos em até duas horas após a chegada. Esse foi então o gatilho para que se organizassem uma resitência armada. Os guerrilheiros do gueto sabiam que iam morrer, mas dessa vez impuseram um preço pela vida dos judeus. No fim da batalha, 14 mil judeus morreram contra 16 baixas admitidas pelos nazistas. Outros 50 mil foram capturados. Mesmo sendo uma resistência simbólica ela fez ressonar insurreições em mais de 100 outras cidades e vilarejos.
Campos de concentração também tiveram colaboradores. Prisioneiros de confiança da SS chamados "Kapo" recebiam melhores roupas, comida e alojamento para, em troca, supervisionar grupos de prisioneiros. Já nos campos de extermínio, os Sonderkommandos (Comandos Especiais) judeus faziam o que a SS considerava sujo demais, guiar as vítimas às câmaras de gás, depois remover os cadáveres, retirar seus cabelos e dentes, cremar os corpos e jogar fora as cinzas. Isso rendia algumas semanas a mais de vida.


MAPA COM AS MAIS IMPORTANTES GUERRILHAS DE RESISTÊNCIA AO NAZISMO DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
(Fonte:Revista Super Interessante, Setembro de 2009)

5- Os Dias (A / B / C / D e E):

A tradição divide a 2ª guerra entre antes e depois de 6 de junho de 1944, quando os aliados desembarcaram no norte da França - o dia D. Até essa data, diz a lenda, os nazistas tinham o mundo na mão. Aí vieram bombardeiros, paraquedistas, navios, aqueles soldados todos morrendo na praia e, graças a esse sacrifício, Hitler perdeu a guerra. Devemos agradecer aos americanos (e seus aliados britânicos, sempre excluídos dos filmes e séries)por vencerem o nazismo? A verdade é que, quando os soldados Ryans apareceram nas praias da Normandia, a guerra já estava ganha. Tudo graças a batalhas sangrentas, gigantescas e pouco conhecidas, travadas do outro lado do continente, em que os soviéticos derrotaram e mataram muitos alemães, foram 4 milhões de baixas nazistas no leste, contra 400 mil no oeste. "se justiça fosse feita, todos os livros sobre a 2ª guerra mundial na Europa devotariam três quartos à frente oriental" escreve Norman Davies em Europa na Guerra.

* O Dia A:

Ocorreu 16 meses antes do dia D, em 2 de fevereiro de 1943. Foi o fim da Batalha de Stalingrado, a mais mortal de todos os tempos. Após passarem o inverno empacados, pela primeira vez os nazistas souberam o que era se render. E começava a marcha soviética de 2 mil quilômetros até Berlim.

* O Dia B:

Mais nesse caminho tinha uma pedra dos nazistas que ainda acreditavam na vitória e prepararam uma emboscada perto da cidade de Kursk, quase fora da Rússia. Foi a maior batalha de blindados de todos os tempos, 3 mil para cada lado, mas o dia B, em 4 de julho de 1943, terminou com uma vantagem decisiva para os comunistas.

* O Dia C:

Depois de Kursk, a superioridade já era tanta que a União Soviética determinou o dia C, uma investida com data simbolicamente marcada para o dia 24 de dezembro de 1943, a fim de estragar a véspera de Natal do eixo,essa investida conseguiu atravessar as estepes ucrânianas destruíndo 18 divisões e comprometendo outras 68.

* O Dia D:

Foi o desembarque das tropas aliadas (americanos e britânicos) na Normândia em 6 de junho de 1944.

* O Dia E:

O dia E, foi a data de rendição do japão: 9 de agosto de 1945.

_ Os comunistas venceram a guerra com sacrifício de muitas vidas, números hoje calculados em cerca de 27 milhões de mortos. A Ucrânia, foi o país mais castigado, perdeu 30% de sua população, em comparação a Alemanha derrotada, não perdeu mais que 10%.


MAPA MOSTRANDO OS DIAS A / B / C e D - OCORRIDOS NA EUROPA.
(Fonte:Revista Super Interessante, Setembro de 2009)

6- A Participação Brasileira na 2ª Guerra Mundial:

A relação dos brasileiros com a segunda guerra mundial varia entre a patriotada (em que as vitórias brasileiras mudaram o destino da guerra) e o complexo de vira-lata (em que um bando de trapalhões foi passear na Europa). Nem tanto à direita nem tanto à esquerda. Os brasileiros realmente foram para o norte da Itália fazer um papel secundário e, em condições tão adversas, até que não foram mal. Não foi por desencargo de consciência que o Brasil entrou em um conflito com o qual não tinha nada a ver. Ele queria algo em troca, por ele, entenda-se Getúlio Vargas, presidente do Brasil de 1930 a 1945. Durante um tempo prevaleceu a corrente que dizia que Getúlio, que afinal de contas era um ditador, queria se aliar ao Eixo, mas teria sido impedido pela opinîão pública. Na verdade, ele era mais esperto; ficou numa posição ambivalente, até que alguém lhe desse motivo para decidir. No caso foram os E.U.A, que, além do conhecido apoio financeiro e técnico para a construção de uma siderúrgica, acenaram com a possibilidade de o Brasil ter destaque na futura Organização das Nações Unidas. Bom a CSN está lá em Volta Redonda, já nossa cadeira no Conselho de Segurança da ONU segue um sonho.
Mas os nazistas não perdoaram. Em agosto de 1942, submarinos alemães afundaram 6 navios brasileiros, matando 607 pessoas - até o final do conflito, seriam 31 embarcações. O povo exigiu, e o Brasil declarou guerra, o único latino-americano a enviar tropas. Que só partiram quase dois anos depois, em julho de 1944. O motivo: não havia homens suficientes que preenchessem os requisitos de ter pelo menos 60 quilos, 1,60 metros e 26 dentes. Além disso, o sujeito precisava ser capaz de ler mapas e utilizar bússola, com isso o Brasil enviou 25 homens para a Europa.
A Força Expedicionária Brasileira (FEB) desembarcou em Napóles, e foi incorporada ao 5º Exército dos E.U.A que combatia os nazistas na Itália. Quase toda a guerra da FEB foi realizada em montanhas. "No nosso treinamento, nunca se falou em montanhas" disse o pracinha Newton Lascaléia em depoimento ao historiador César Maximiano. Aliás o treinamento foi bondade do seu Newton; os brasileiros chegaram lá totalmente despreparados; os soldados não conheciam direito seus armamentos e os oficiais precisaram aprender um jeito novo de organizar seus batalhões, em sintonia com as guerras modernas. Os pracinhas não tinham roupas para suportar um inverno de -20º C e tiveram que pedir roupas emprestadas ao Exército dos E.U.A, que aliás cuidavam também da saúde dos pracinhas. Após tentar e não conseguir tomar Monte Castelo por três vezes, os brasileiros esperaram a primavera para ter sua vitória mais famosa. Depois dessa experiência foi só vitória, com seus 25 mil homens a FEB enfrentou 239 dias de combate, encarou 10 divisões alemãs, 3 divisões italianas e somou 20,5 mil prisioneiros em combate, teve quase 2 mil baixas, mais de 400 mortos e cerca de 1,5 mil feridos.


A PARTICIPAÇÃO DA FEB NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL
(Fonte:Revista Super Interessante, Setembro de 2009)